terça-feira, 12 de setembro de 2017

Sobre determinação


"Há momentos difíceis na vida.
Grandes ou pequenas, as dificuldades
Podem ser decisivas.
Somente a firme determinação
De enfrentar as adversidades
Leva o indivíduo a vencê-las verdadeiramente.
Nessas horas cruciais,
Jamais hesite o mínimo."

Daisaku Ikeda


terça-feira, 15 de agosto de 2017

A mudança vem de dentro


"A mudança é algo que começa de dentro para fora e reveste-se de uma consciência profunda sobre a necessidade de procuramos formas de equilíbrio e de bem-estar pessoal. A nossa forma de pensar, de ver as coisas, de as sentir, altera completamente a forma como captamos o mundo exterior. Nesta alteração, desenvolve-se parte dos nossos relacionamentos com o Outro e infelizmente, neste jogo, quase ninguém conhece as regras. É necessário vermo-nos por dentro, para disfrutarmos do que esta cá fora. Para, no final das contas, conseguirmos ter relações com tudo o que nos rodeia, já que é disso que se trata. 

Deixamos de disfrutar da leitura de um livro, para estarmos a competir num mundo onde a energia masculina impera, deixamos de cuidar de nós, para estarmos alerta num espaço onde o afeto pode ser o elo mais fraco, deixamos de conversar, para apenas falar, deixamos sobretudo de ouvir, para escutarmos. A polaridade que inverte a sensibilidade para o que de mais rude absorvemos, dá-nos a falsa segurança de que nos protegemos de investidas desleais, de movimentos em falso, de valores de juízos. Deixamos de exercitar as emoções, para preferir o desapego. Com o tempo, percebemos que estamos doentes, não física, mas emocionalmente. Concluímos, tarde demais, que desperdiçamos tempo e energia vital com uma forma de vida menor: menor na intensidade, menor na sua expressão, menor na sua condição, menor na sua longevidade. 

Estar atento, colocar-se no lugar do outro, ver o mundo lá fora como reflexo do nosso universo interior, dar valor às nossas emoções, respeitar a dos outros, distribuir afetos e saber receber, mostrar gratidão, não ter pressa, saber esperar, aceitar, reconhecer o choro são estratégias de desenvolvimento Yin."

Trecho daqui




terça-feira, 8 de agosto de 2017

Terapia contra as compras compulsivas por Livros


"Depois de passar há uns meses por uma terrível crise das prateleiras, e logo depois atravessar uma crise bem pior ao encaixotar toda minha biblioteca por causa da mudança, pousei em Barcelona no comecinho de setembro com o firme propósito de voltar a utilizar a rede de bibliotecas públicas da cidade. Fazia, pelo menos, sete ou oito anos que eu não utilizava a carteirinha, mais que os três anos que morei no Brasil, pois depois de uma primeira fase de uso intensivo das bibliotecas, eu tinha virado um CCL (um Comprador Compulsivo de Livros), uma das espécies mais perigosas e letais de MCC (Monstros Consumistas Culturais).

Preparei minha volta às bibliotecas públicas fazendo uma lavagem cerebral, segundo a qual o importante não era ser um CCL, mas um LCL (um Leitor Compulsivo de Livros). Felizmente, e contra todo prognóstico, minha carteirinha ainda funcionava, então comecei a passear entre as prateleiras da biblioteca mais próxima de minha casa na procura dos livros que levaria. Nessa primeira visita, da qual trouxe o maravilhoso Tirana memoria, do escritor salvadorenho Horacio Castellanos Moya, um dos escritores mais interessantes da atualidade, e nas seguintes, uma vez ativada a rotina de ir à biblioteca para devolver os livros e levar novos, acabei criando uma terapia que talvez seja útil para quem, devido a motivos econômicos, amorosos, psicológicos ou de espaço nas prateleiras, precisa abandonar sua condição de CCL e entrar no mais saudável mundo dos LCL.

É o que eu chamo da “terapia jotapê contra o vício do Consumo Compulsivo de Livros”. Se você foi diagnosticado com essa doença (e se já superou a fase de negação), pode usar as seguintes sugestões. Eu garanto resultados em menos de três visitas à biblioteca pública.

1. “Todos esses livros são meus”. Esse pensamento é a base de toda a terapia. Se você não consegue acreditar verdadeiramente nele será impossível abandonar a compulsão do consumo. Tente o seguinte: passear entre os corredores da biblioteca imaginando que você está em casa e que pode pegar qualquer livro que quiser e ler. Enquanto passeia, repita mentalmente, uma vez e outra, como se fosse um mantra: “todos esses livros são meus, todos esses livros são meus, todos esses livros são meus”. Você acha que sou maluco? Nada mais longe disso: você realmente pode pegar qualquer livro e ler, a biblioteca é pública, é de todos, o que quer dizer, a efeitos práticos, que todos esses livros são meus e de todo mundo.

1.1. Muito importante: não diga que todos os livros são seus em voz alta, ninguém quer acabar no hospital psiquiátrico (onde, aliás, entre outros muitos inconvenientes, não há boas bibliotecas).

2. Leve sempre mais de um livro para casa. Se a biblioteca permite levar três livros, leve três. Se cinco, cinco. Siga a seguinte regra: levar um livro que você quer muito ler, mas muito, muito mesmo (e que, de fato, você vai ler); leve outro(s) livro(s) que você acha que gostaria de ler (aqueles livros que alguém recomendou ou que receberam boas críticas); e leve sempre, no mínimo, um livro de um grandíssimo escritor, de um clássico universal ou de um autor de culto. Assim, você conseguirá reproduzir em casa o mesmo clima criado pelo Consumo Compulsivo de Livros sem consumir: você vai ler o livro que queria muito ler, você vai dar uma olhadinha no(s) livro(s) que você achava que ia gostar de ler (e provavelmente vai ler um deles, mas só provavelmente), e (importantíssimo) você vai sentir a culpa de não ler esse Proust ou Sófocles que estará atormentando você desde algum canto da casa.

3. Quando o demônio do Consumo atacar: PEGUE OS LIVROS E VOLTE PARA A BIBLIOTECA CORRENDO. E não esqueça, assim que estiver entre as prateleiras, repita mentalmente: “todos esses livros são meus, todos esses livros são meus”.

4. Faça alguma coisinha nos livros que você lê, sem estragar o livro, por favor. Sublinhe uma frase com lápis, dobre o canto de uma folha, “esqueça” um recibo ou um bilhete entre as páginas.

5. Se você se encontrar na biblioteca com algum amigo ou conhecido por casualidade, atue como se fosse o anfitrião, mostre o espaço, faça sugestões de leitura, dê dicas. Tenha cuidado de não utilizar a primeira pessoa nas explicações (ver ponto 1.1).

6. Passe intencionalmente pela prateleira da biblioteca onde fica algum dos livros que você leu. Faça de conta que foi uma casualidade, leia as lombadas dos livros vizinhos e quando chegar ao livro lido, sinta esse arrepio de felicidade: “esse eu já li”.

7. Se você está passando por uma crise de abstinência de consumo, pegue o livro lido (ver ponto 6) e dê uma folheada: o que você tiver feito nesse livro (ver ponto 4) incrementará a sensação de que esse livro, e todos os livros da biblioteca, é seu.

8. Aproveite para socializar. Se você descobrir uma pessoa com os dedos na lombada de um Gombrowicz, de um Sérgio Sant’Anna ou de um César Aira, o que você está esperando para puxar conversa!? Não é todo dia que você encontra um desconhecido interessante passeando entre as prateleiras da sua casa.

9. Como resultado de tudo o que foi exposto anteriormente, vire um UCB, um Usuário Compulsivo da Biblioteca.

Imagino que alguns leitores desta coluna estarão pensando: claro, você disse isso porque você está morando em Barcelona, onde as bibliotecas públicas são ótimas, e na América Latina não é bem assim etc. Mas isso é uma meia-verdade: eu, pelo menos, antes de estar viciado em CCL, usei muito as bibliotecas públicas do México e também a bibliotequinha de Sousas, em Campinas, onde meus filhos tinham carteirinha e a gente ia ler.

É verdade que as bibliotecas públicas do México e do Brasil poderiam ser bem melhores, mas o jeito mais eficaz de ajudar nessa melhora é justamente esse: utilizá-las. E se não tem uma boa biblioteca perto de casa ou do trabalho, não é hora de começar a se organizar para pedir uma à prefeitura da cidade?

Já dizia minha avó, que estava além das ideologias, mas era muito sábia: a felicidade é pública, a tristeza é privada."






domingo, 25 de junho de 2017

Devemos nos esforçar para ser como a lua


"Devemos nos esforçar para ser como a lua. 
Um ancião em Kabati sempre repetia essa frase para as pessoas que passavam
por sua casa para buscar água, caçar ou colher seiva nas palmeiras, e também
aos que caminhavam de volta a suas fazendas. Eu me lembro de ter perguntado
a minha avó o que o ancião queria dizer com aquilo.

Ela explicou que o ditado servia para lembrar as pessoas de se comportarem
sempre da melhor maneira possível e serem boas umas com as outras.
Ela disse que as pessoas reclamam quando o sol as castiga demais
e está intoleravelmente quente, e também quando chove demais ou está frio.

Mas ela falou, ninguém se queixa quando a lua brilha. Todos ficam felizes
e apreciam a lua, cada um a seu modo. 
As crianças brilham com suas sombras sob a luz da lua,
as pessoas se juntam para contar histórias e dançar noite adentro. 
Muitas coisas boas acontecem quando a lua brilha. 

Essas são algumas das razões pelas quais devemos desejar ser como a lua".

Do livro Muito Longe de casa - Memórias de um Menino-Soldado
de Ishmael Beah





domingo, 18 de junho de 2017

Você é



"Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava, você é os nervos à flor da pele no vestibular, os segredos que guardou, você é sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai, você é o que você lembra. 

Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você chora. 

Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pêlo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda. 

Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta, você é o que você queima. 

Você é aquilo que reinvidica, o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta, você é os direitos que tem, os deveres que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia. 

Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.

Martha Medeiros



terça-feira, 23 de maio de 2017

É possível ser mais leve?


Dias desses, buscando uma interessante e nova leitura, no site da Amazon, me deparei
com uma promoção no livro, Que ninguém nos ouça: Terapia Virtual entre duas mulheres,
de Cris Guerra e Leila Ferreira. Duas mulheres que trocam emails, falando sobre a vida,
suas dores, pensamentos e sentimentos. Adorei! Buscando mais informações sobre ambas,
encontrei uma entrevista com a Leila Ferreira no site Vivo Mais Saudável e achei interessante
alguns trechos, que compartilho aqui com vocês.

"VMS: Como conseguir ter mais leveza e carregar o "peso" da vida?

Leila Ferreira: Antes de mais nada, é preciso deixar claro que aprender a ser leve não é fácil. Mas é possível. Não a leveza dos livros de ficção ou dos filmes adocicados: essa, felizmente, está fora do nosso alcance, porque, do contrário, viver seria um tédio, uma "sessão da tarde" sem fim.

A leveza a que me refiro é aquela que convive com as angústias, as perdas, as frustrações cotidianas e as dificuldades muitas vezes gigantescas que fazem parte do viver. Ser leve não é se alienar. É ter em conta que a condição humana é precária, a vida é muito complexa, mas, mesmo assim, ou exatamente por isso, precisamos desenvolver mecanismos para reduzir o peso que carregamos dentro de nós.

Andamos obcecados com o peso do corpo - a ele estamos sempre atentos. Mas nossas almas andam obesas. Estamos cada vez mais estressados, ríspidos, intolerantes, ou seja, corremos o risco de ficar com corpos esbeltos e obesidade mórbida de espirito.

VMS: E como reduzir essa carga interior?

Leila Ferreira: Cada um vai achar seu caminho. Mas acho que, qualquer que seja esse caminho, ele começa por uma reflexão, uma tomada de consciência. Temos vivido no piloto automático, sem pausas para refletir, e nessa correria desenfreada é muito fácil adotar comportamentos que nos fazem mal, nos adoecem emocionalmente. 

VMS: O que é felicidade para você?

Leila Ferreira: Acho que a melhor definição de felicidade que eu já vi foi uma frase escrita em um outdoor, em Paris: "A felicidade é a soma das pequenas felicidades". A partir dessa frase, meu conceito mudou. Eu vivia esperando aquela felicidade em letras maiúsculas, com vários pontos de exclamação. 

Hoje acredito numa felicidade discreta, modesta, uma felicidade homeopática, administrada em bolinhas quase imperceptíveis. Um pôr de sol aqui, um café recém-coado ali, uma paixão que nos pega de surpresa, uma amiga que nos faz rir... tudo isso, somado, pode levar à felicidade. Pode, que fique claro. Porque para a felicidade não existem garantias.

VMS: O que deixa a Leila Ferreira em paz?

Leila Ferreira: Antes de mais nada, um bom livro. Quando leio uma história que me apaixona (principalmente os livros policiais), o mundo real deixa de existir e, como o mundo real não anda fácil, "fugir" dele por algumas horas nos acalma. "

Pra quem quiser ler a entrevista inteira é só clicar aqui e a Cris Guerra também
tem um site, aqui
O livro? Ainda estou lendo, mas adorei o estilo e as conversas por email



sábado, 13 de maio de 2017

Mãe é de graça!


"É bom ter mãe quando se é criança, e também é bom quando se é adulto. Quando se é adolescente a gente pensa que viveria melhor sem ela, mas é um erro de avaliação. Mãe é bom em qualquer idade. Sem ela, ficamos órfãos de tudo, já que o mundo lá fora não é nem um pouco maternal conosco.
O mundo não se importa se estamos desagasalhados e passando fome. Não liga se viramos a noite na rua, não dá a mínima se estamos acompanhados por maus elementos. 
O mundo quer defender o seu, não o nosso. 

O mundo quer que a gente torre nossa grana, que a gente compre um apartamento que vai nos deixar endividados, que a gente ande na moda, que a gente troque de carro, que a gente tenha boa aparência e estoure o cartão de crédito. Mãe também quer que a gente tenha boa aparência, mas está mais preocupada com o nosso banho, nossos dentes, nossos ouvidos, com a nossa limpeza interna: não quer que a gente se drogue, que a gente fume, que a gente beba. 

O mundo nos olha superficialmente. Não detecta nossa tristeza, nosso queixo que treme, nosso abatimento. O mundo quer que sejamos lindos, magros e vitoriosos para enfeitar a ele próprio, como se fossemos objetos de decoração do planeta. O mundo não tira nossa febre, não penteia nosso cabelo, não oferece um pedaço de bolo feito em casa. 

O mundo quer nosso voto, mas não quer atender nossas necessidades. O mundo, quando não concorda com a gente, nos pune, nos rotula, nos exclui. O mundo não tem doçura, não tem paciência, não nos escuta. O mundo pergunta quantos eletrodomésticos temos em casa e qual é o nosso grau de instrução, mas não sabe nada dos nossos medos de infância, das nossas notas no colégio, de como foi duro arranjar o primeiro emprego. 

Mãe é de outro mundo. É emocionalmente incorreta: exclusivista, parcial, metida, brigona, insistente, dramática. Sofre no lugar da gente, se preocupa com detalhes e tenta adivinhar todas as nossas vontades, enquanto que o mundo nos exige eficiência máxima, seleciona os mais bem dotados e cobra caro pelo seu tempo. Mãe é de graça."

Feliz dia das Mães 

Martha Medeiros